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PROCESSO DE LIMPEZA – PARTE II

Dando continuidade ao conteúdo da postagem anterior, continuaremos neste artigo a falar sobre o PROCESSO DE LIMPEZA do CME.
Neste artigo falaremos sobre os tipos de detergentes, o uso de soluções no CME, acessórios para limpeza, ciclo de sinner e muito mais. Acompanhe até o final.

 

DETERGENTES

 

Vamos começar a falar dos detergentes. Além da qualidade da água que vimos no post anterior, os detergentes desempenham um papel essencial na limpeza garantindo a eficácia do processo.
Exploraremos o papel dos detergentes no processo de limpeza e desinfecção, destacando sua importância, os diferentes tipos disponíveis e as melhores práticas para seu uso.

 

Vamos começar com alguns pontos importantes:

 

Os detergentes devem ser destinados para uso em DM (dispositivos médicos), regularizados pela ANVISA (ou seja, não pode ser utilizado detergente de uso doméstico).

 

O detergente é utilizado para facilitar a limpeza, porque ele tem a capacidade de reduzir a tensão superficial da água e facilitar a remoção de substâncias lipídicas e proteicas.

Ele precisa ser biodegradável, ou seja, após seu uso ele precisa de biodegradar no meio ambiente, causando menos impacto.

 

O detergente deve ter a mínima adição de fragrância ou corantes;

• O detergente deve ter baixa formação de espumas, pois a formação de espuma aumenta o gasto de água para remoção e também diminui a eficacia do processo de enxágue.

 

O resíduo de espuma nos instrumentos pode causar uma reação inflamatória nos pacientes (reação pirogênica)

Não deve oferecer riscos a profissionais e pacientes. (Os detergentes têm uma série de requisitos para ser utilizado dentro do CME).

 

TIPOS DE DETERGENTES

 

Existem diferentes tipos de detergentes utilizados na limpeza e desinfecção de instrumentos cirúrgicos, sendo os mais comuns os detergentes enzimáticos e detergentes alcalinos. Abaixo explicaremos melhor sobre cada um deles.

 

Detergente Enzimático

 

O detergente enzimático normalmente possui PH neutro, porém possui também enzimas que facilitam o processo de limpeza pela quebra de matéria orgânica.
As enzimas são proteínas capazes de agir como catalisadores sobre sangue, gordura, muco entre outros, transformando em outro substrato mais fácil de remoção na limpeza.

As principais enzimas presentes nos detergentes enzimáticos são:

 

Lipase – quebra de gordura.

Amilase – quebra dos amidos de glicose.

Protease – quebra de moléculas de proteína.

 

RDC nº 703/2022 – dispõe exigências para a produção de detergentes enzimáticos utilizados em dispositivos médicos.

 

• Exige a apresentação de laudos de atividades enzimática, formulação, toxicidade e rotulagem

 

Importante: A avaliação das atividades enzimática devem ser realizadas com o produto sem diluição e com diluição, pois não adianta ter uma atividade enzimática ótima no produto sem diluição se quando é diluído perder a atividade no líquido.

 

Detergente Alcalino

 

O detergente alcalino possuí PH que pode variar entre 9 a 14 e tem uma alta capacidade em dissolver proteína e gordura.

Apesar de não possuir enzima, sua alta alcalinidade tem a capacidade de deslocar os resíduos presentes na matéria orgânica, quebra e dispersão da matéria orgânica (emulsificação, saponização e peptização)

 

Também necessitam a apresentação de laudos de irritabilidade e corrosão, principalmente quando mais alcalino, pois ele pode ter uma irritabilidade maior. Existem inclusive, detergentes alcalinos que são recomendados apenas para limpeza automatizada, pois não podem ser utilizados na limpeza manual pois pode ocorrer irritabilidade ou corrosão.

 

O detergente alcalino necessita de maiores temperaturas para ação efetiva. (informado pelo fabricante) e tem uma ação revitalizadora devido a remoção de depósitos e renovação do brilho dos instrumentos.

 

USO DE SOLUÇÕES NO CME

 

Independente do tipo de detergente a ser utilizado dentro do CME existem alguns pontos que o profissional precisa ficar atendo ao utilizar, como por exemplo:

 

Instruções do fabricante

 

– Diluição: É de suma importância que a diluição seja feita exatamente como a instrução do fabricante. Geralmente a quantidade de detergente a ser diluído é muito pequena, e se o profissional coloca a mais achando que irá potencializar a limpeza ou apenas pelo fato de não medir corretamente, pode causar acumulo de residual na superfície e atrapalhar o processo.

 

– Tempo de ação: Também é muito importe seguir as recomendações do fabricante, não existe ‘deixar mais tempo porque está mais sujo’ quanto mais tempo deixa o material após o tempo recomendado pode estar causando uma possível recontaminação do instrumental, pode causar uma formação de biofilme, pois a própria proteína que existe no detergente pode começar a aderir no instrumental.

– Temperatura: Conferir qual é a temperatura da água recomendada que precisa ser utilizada

 

– Qualidade da ação

 

– Descarte e troca de soluções: Nunca reutilizar uma solução de um processo para o outro mesmo que enxergue que esta ‘limpa’, pois pode haver residual de microorganismo no material do processo seguinte.

 

ACESSÓRIOS PARA LIMPEZA

 

Após verificar a qualidade da água e escolher o detergente chegou a hora de falarmos dos acessórios adequados para a limpeza.

 

Quanto mais complexos e mais diversos dispositivos que houver na central de material, precisará ter mais acessórios para limpeza.

Então, vamos ver o que pede na RDC15/2012 sobre os acessórios:

 

Art. 66 Na limpeza manual, a fricção deve ser realizada com acessórios não abrasivos e que não liberem partículas.

 

Necessidade de cerdas e escovas de diversas conformações e diâmetros para atender a diversidade de dispositivos médicos

Art. 69 O CME Classe II e a empresa processadora devem utilizar pistola de água sob pressão para limpeza manual de produtos com lúmen e ar comprimido medicinal, gás inerte ou ar filtrado, seco e isento de óleo para secagem dos produtos.

CICLO DE SINNER

 

O ciclo de Sinner é um conceito utilizado na indústria de limpeza e higienização para descrever os quatro fatores principais envolvidos no processo de limpeza eficaz. Sendo eles:

Ação Mecânica: significa a ação exercida por máquinas ou equipamentos que geram pressão e fricção. Quando nenhum equipamento é utilizado considera-se que o operador exercerá a ação mecânica através da esfregação de fibras de limpeza, esponjas, escovas ou panos.
Exemplos: Escovação, jatos de água, etc.

 

Ação química: é a função dos produtos químicos de limpeza, que agem especificamente em um tipo de sujidade, fazendo com que se solte e facilite a limpeza.
Exemplo: Detergente


Ação temporal: tempo de ação ou de contato, é determinado pelo tipo de superfície a ser limpa, pelo nível de sujidade a ser removida, e pela escolha do produto de limpeza.

Ação térmica: consiste na eficiência da remoção das sujidades através de uma solução química em uma temperatura específica. Apesar de ter grande influência nos resultados, raramente se utiliza aquecimento em operações normais de limpeza.

* Podemos considerar a água como um quinto elemento nesse ciclo.

Esses fatores podem ser combinados de maneira diferente, de acordo com a limpeza a ser realizada, a sujidade existente, a superfície a ser limpa e os equipamentos disponíveis. Na realidade, cada ação requer uma fórmula concreta. Por isso é fundamental entender cada variável, para sempre realizar uma limpeza de qualidade, sem provocar qualquer dano à superfície tratada e ao meio ambiente.

 

PRÉ LIMPEZA

 

O processo de pré limpeza é muito importante, pois nele é feito a remoção da sujidade visível (sangue, osso, gordura, etc…). Essa remoção é feita para que na hora que o instrumento for colocado dentro do detergente enzimático, por exemplo, a atividade enzimática remova o que realmente deve.

 

A pré limpeza deve ser realizada o quanto antes (ideal no ponto de uso), para evitar a aderência da sujidade nas superfícies e evitar a também a formação de biofilme.

O processo de pré limpeza então é feito através de jatos de água e escovação para remoção de sujidade visível e depois a imersão na solução de detergente e nova inspeção e novo processo de limpeza se necessário e por final o enxágue. Esse processo pode ser feito também com equipamento de vapor fluente.

 

LIMPEZA MANUAL

 

A limpeza manual é o complemento da pré limpeza, ela é essencial para dispositivos médicos delicados e complexos.

 

O processo de limpeza manual exige que o estabelecimento tenha protocolos específicos.

 

Tipos de material que necessitam da limpeza manual:

 

Lúmens

Desmontáveis

Implantes

Equipamentos

Videocirurgia

Delicados

 

Para cada tipo de material é feito um processo de limpeza manual diferente, porque não é utilizado a mesma escova por exemplo, ou o mesmo cesto, mesma técnica, etc. Portanto é necessário ter protocolos específicos no processo de limpeza manual.

 

Veja o passo a passo do processo de limpeza manual:

O processo de limpeza manual muitas das vezes pode ser indispensável antes do processo de limpeza automatizado.

 

Outro ponto importante é que como esse processo é manual ele exige conscientização da equipe quanto ao uso de EPIs, porque o colaborador ficará completamente exposto a vários riscos.

 

Para mais informações sobre os EPI’s, acesse a parte I do post de processo de limpeza:
https://sandersdobrasil.com.br/2023/08/09/processo-de-limpeza-o-quao-limpo-e-limpo-parte-i/

 

SECAGEM

 

Como vimos o passo a passo do processo de limpeza manual acima, o último passo desse processo, antes de inciar a etapa de preparo é a secagem. Ela é extremamente importante porque se não tiver um material completamente seco, além de propiciar a formação manchas, o material úmido pode causar biofilme e pode interferir no processo de esterilização.

 

Exitem duas formas de fazer esse processo de secagem: Manual ou Automatizada.

 

Manual:

Tecido absorvente limpo, que não solte fiapos, preferência de cor clara para identificação de sujidade residual;

 

Pistola de ar comprimido: secagem e inspeção de canulados, complexos e delicado.

 

* Dessa forma é possível fazer a inspeção do material enquanto seca. Caso qualquer material ainda tenha algum resíduo, é necessário que este material passe por todo processo de limpeza novamente.

 

Automatizada:

 

Secagem automatizada do próprio equipamento ou secadora própria;

 

Luxo de ar quente filtrado;

 

* Dessa forma após retirar o material da secadora, é necessária a inspeção rigorosa antes do preparo. Caso qualquer material ainda tenha algum resíduo, é necessário que este material passe por todo processo de limpeza novamente.

 

CONCLUSÃO – PADRONIZAÇÃO NO PROCESSO DE LIMPEZA

 

É necessário ter uma padronização no processo de limpeza, e ela é de extrema importância porque existem vários dispositivos com conformação e complexidades diferentes dentro do CME e não pode ser feito o mesmo procedimento de limpeza para todos da mesma forma.

Nesse processo não se deve deixar de seguir as instruções de uso dos equipamentos, insumos, acessórios e de processamento dos dispositivos médicos. Caso a instrução de uso seja vaga é preciso utilizar de consultas ao responsável técnico fornecedor ou fabricante para entender qual o método de limpeza mais eficaz de limpeza tal dispositivo.

 

Em muitos casos a limpeza manual deverá ser complementada da limpeza automatizada. Inclusive é uma exigência da RDC 15 / 2012 que dispositivos de conformação complexa precisa ter a limpeza manual complementada por limpeza automatizada.

 

Então ao identificar qual é processo de limpeza para cada instrumento é feita a descrição de protocolo e a equipe deverá ser treinada em cada processo padronizado.

 

No proximo post, dando continuidade ao assunto de limpeza, falaremos sobre os PPS (produtos pra saúde) passíveis de limpeza. Não perca.

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