Classificação Spaulding dos Artigos da CME
Sanders do Brasil
20 de Junho, 2025

Classificação Spaulding dos Artigos da CME

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Equipamentos Médicos | Excelência Hospitalar

Pronto para transformar seus processos de esterilização?

A Classificação Spaulding é o sistema utilizado para definir qual nível de processamento, limpeza, desinfecção ou esterilização, cada material hospitalar deve receber. A definição depende do risco de infecção que o material representa para o paciente.

Criada em 1968, ela continua sendo a base de praticamente todos os protocolos de reprocessamento de materiais usados hoje, incluindo os requisitos estabelecidos pela RDC 15 no Brasil. Neste guia, você vai entender como funciona essa classificação, por que ela existe e como ela define, na prática, os métodos de limpeza utilizados no CME.

O que é a Classificação Spaulding da CME?

A Classificação Spaulding foi desenvolvida em 1968 por E. H. Spaulding. O objetivo era ajudar profissionais de saúde a escolher as estratégias de limpeza, desinfecção e esterilização adequadas para cada equipamento e instrumento médico-hospitalar.

Antes dessa classificação, a definição do nível de processamento de cada material era pouco padronizada. Isso gerava dois problemas opostos: risco de subprocessamento, quando materiais eram processados de forma insuficiente para o uso pretendido, e desperdício de recursos, quando materiais eram submetidos a processos mais rigorosos do que o necessário.

Spaulding propôs um critério simples e objetivo: classificar os materiais de acordo com o risco de infecção que seu uso representa para o paciente, e definir o processamento exigido a partir desse risco.

Esse princípio segue sendo a base lógica de normas como a RDC 15, que estabelece os requisitos de boas práticas para o processamento de produtos para saúde no Brasil e organiza desde a classificação dos serviços de CME até a estrutura física exigida.

Quais as categorias dos itens hospitalares?

Os materiais hospitalares são extremamente variados. Podem ser descartáveis ou permanentes, estéreis ou não estéreis. Abrangem desde instrumentos cirúrgicos complexos até superfícies de bancadas e equipamentos de uso geral.

Essa diversidade é justamente o motivo pelo qual uma classificação clara é necessária. Sem ela, cada material precisaria ser avaliado individualmente, sem critério padronizado, para definir seu processamento.

A Classificação Spaulding organiza esses materiais em três categorias, de acordo com o grau de risco de infecção que representam para o paciente:

  • Artigos críticos: maior risco, pois entram em contato com tecidos estéreis ou o sistema vascular;
  • Artigos semicríticos: risco intermediário, pois entram em contato com mucosas íntegras ou pele não íntegra;
  • Artigos não críticos: menor risco, pois entram em contato apenas com pele íntegra ou não têm contato direto com o paciente.

Essa categorização é o ponto de partida para definir, de forma padronizada, qual processo de desinfecção ou esterilização cada item exige.

Por que precisamos classificar os artigos da CME

Classificar corretamente cada artigo do CME não é uma formalidade burocrática. É o que garante que cada material receba exatamente o nível de processamento necessário para seu uso seguro, nem mais, nem menos.

Um material classificado de forma incorreta gera dois tipos de problema:

  • Subclassificação: o material recebe um processamento menos rigoroso do que o necessário, e o risco de infecção aumenta diretamente, comprometendo a segurança do paciente;
  • Sobreclassificação: o material recebe um processamento mais rigoroso do que o necessário, e o CME desperdiça tempo, insumos e capacidade operacional em processos desnecessários, reduzindo a eficiência do setor sem qualquer ganho real de segurança.

Vale destacar que, além da classificação dos artigos, existe também uma classificação equivalente para os procedimentos clínicos. Ela considera o risco de exposição a sangue, secreções ou perda de continuidade do tecido. Embora sejam classificações distintas, ambas seguem a mesma lógica: o nível de risco define o nível de cuidado exigido. Essa lógica de "risco define processamento" é o fio condutor de toda a Classificação Spaulding.

Classificação de artigos por Spaulding

Spaulding dividiu os artigos hospitalares em três categorias: críticos, semicríticos e não críticos. O critério central é o quão profundamente o material entra em contato com o organismo do paciente, e se esse contato ocorre em tecidos com microbiota própria, como a pele, ou em locais estéreis, como o sistema vascular ou tecidos sub-epiteliais.

Essa lógica explica por que materiais que penetram em tecidos estéreis exigem o nível mais alto de processamento, a esterilização. Já materiais que entram em contato apenas com a pele íntegra, que possui sua própria microbiota e barreiras naturais de defesa, exigem um nível de processamento bem menos rigoroso.

Artigos críticos

Artigos críticos são aqueles que penetram nos tecidos sub-epiteliais da pele e mucosa, no sistema vascular ou em outros órgãos isentos de microbiota própria. Como esses locais não possuem defesas naturais contra microrganismos, qualquer contaminação introduzida por um instrumento pode resultar diretamente em infecção.

Exemplos de artigos críticos incluem:

  • instrumentos de corte ou ponta;
  • outros artigos cirúrgicos, como pinças, afastadores, fios de sutura, cateteres e drenos;
  • soluções injetáveis.

Processo exigido: esterilização. Como esses artigos entram em contato com áreas estéreis do corpo, o processamento precisa eliminar completamente todas as formas de vida microbiana, incluindo esporos bacterianos, a forma mais resistente de microrganismo. Os métodos de esterilização, como vapor saturado, peróxido de hidrogênio e óxido de etileno, variam conforme a composição e a resistência térmica do material.

Artigos semicríticos

Artigos semicríticos são aqueles que entram em contato com mucosa íntegra e/ou pele não íntegra. A mucosa íntegra possui sua própria microbiota e é mais resistente à infecção do que tecidos estéreis. Ainda assim, é vulnerável a microrganismos como esporos bacterianos em quantidades elevadas, vírus e micobactérias.

Exemplos incluem materiais para exame clínico, como pinças, sondas e espelhos, além de condensadores, moldeiras e porta-grampos.

Processo exigido: esterilização ou desinfecção de alto nível. A desinfecção de alto nível elimina a maioria dos microrganismos, incluindo a maior parte dos esporos, mas não oferece a mesma garantia de eliminação total que a esterilização. Para artigos semicríticos, esse nível de processamento já é considerado suficiente, dado que a barreira da mucosa íntegra oferece alguma proteção adicional que não existe em tecidos estéreis.

Artigos não críticos

Artigos não críticos são aqueles que entram em contato apenas com a pele íntegra do paciente, ou que não entram em contato direto com o paciente. A pele íntegra funciona como uma barreira natural eficaz contra a maioria dos microrganismos, o que reduz significativamente o risco associado a esses materiais.

Exemplos incluem termômetros, equipos odontológicos, superfícies de armários e bancadas, e aparelhos de raios X.

Processo exigido: limpeza e desinfecção de baixo nível. Para esses artigos, a limpeza adequada, com remoção de sujidade e redução da carga microbiana, combinada com desinfecção de baixo nível, já é suficiente para garantir a segurança do uso. Isso ocorre porque a barreira da pele íntegra protege o paciente de exposições mais profundas.

Tipos de reprocessamento de Spaulding

A Classificação Spaulding não apenas categoriza os artigos. Ela também orienta diretamente quais métodos de reprocessamento devem ser usados em cada caso.

Independentemente da categoria do artigo, o reprocessamento sempre começa pela limpeza. É a etapa sem a qual nenhum processo de desinfecção ou esterilização posterior é totalmente eficaz. A partir da limpeza, o caminho se diferencia: artigos críticos seguem para esterilização, semicríticos para esterilização ou desinfecção de alto nível, e não críticos para desinfecção de baixo nível.

Nas seções a seguir, detalhamos os principais tipos de reprocessamento, com foco especial na etapa de limpeza, comum a todos os artigos e onde está concentrada a maior parte da operação diária do CME.

Limpeza e descontaminação

A limpeza é o primeiro tipo de reprocessamento ao qual todo artigo deve ser submetido. Tem como objetivo remover sujidade visível, detritos e demais materiais que favorecem a sobrevivência e o crescimento de microrganismos.

Qualquer resíduo orgânico ou inorgânico que permaneça no instrumento pode interferir diretamente na eficácia dos processos posteriores. Resíduos que secam e endurecem sobre os materiais tornam a remoção ainda mais difícil, e podem inviabilizar completamente a desinfecção ou esterilização subsequente.

Na prática, a limpeza envolve a remoção de material estranho e material orgânico, como sangue ou tecidos, por meio de água combinada com detergentes ou produtos enzimáticos. Os fabricantes de cada equipamento ou instrumento recomendam métodos de limpeza e agentes específicos, e essas recomendações devem ser seguidas rigorosamente pela equipe do CME.

Alguns cuidados são essenciais nessa etapa:

  • A limpeza e a descontaminação devem ser realizadas o mais rápido possível após o uso do material, evitando que resíduos sequem e endureçam;
  • Todo item utilizado em um paciente deve ser considerado contaminado, independentemente de onde será reprocessado dentro da instituição;
  • A equipe deve utilizar Equipamentos de Proteção Individual (EPIs) adequados, incluindo aventais, luvas e proteção para rosto e olhos;
  • Itens com partes removíveis devem ser desmontados, com cuidado para manter todas as peças organizadas e garantir a remontagem correta posteriormente.

Essa etapa acontece logo na entrada do material no CME, na fase de recebimento e limpeza do fluxo completo de processamento.

Limpeza automática

A limpeza dos materiais médico-hospitalares pode ser feita manualmente ou por meio de equipamentos automatizados. A limpeza automática é o método preferido sempre que o material for compatível com esse processo.

Na limpeza manual, utiliza-se um detergente com pH neutro e fricção mecânica sobre a superfície do item para remover os detritos. Embora consuma mais tempo, esse método continua sendo necessário para objetos delicados ou de geometria complexa, que não podem ser processados por sistemas automáticos sem risco de dano.

Já a limpeza automática envolve equipamentos que processam os itens contaminados de forma padronizada, como:

  • máquinas de ultrassom;
  • lavadoras descontaminadoras, que limpam e desinfetam por meios térmicos e químicos;
  • lavadoras termodesinfectoras, que lavam e enxaguam os itens antes de submetê-los a vapor e calor.

A padronização proporcionada pela automação é uma das razões pelas quais esse método é preferido. Reduz a variabilidade entre operadores e garante que parâmetros como temperatura, tempo e concentração de detergente sejam aplicados de forma consistente em cada ciclo.

Como funcionam as lavadoras ultrassônicas na limpeza automatizada do instrumental.

Limpeza com ultrassom

A limpeza por ultrassom utiliza ondas sonoras de alta frequência e alta energia para soltar sujidades e materiais orgânicos aderidos à superfície dos instrumentos. É especialmente eficaz em frestas, articulações e canais internos, de difícil acesso para escovas convencionais. Uma vez soltos pela ação do ultrassom, esses resíduos são removidos durante o enxágue subsequente.

É importante destacar que nem todos os dispositivos toleram a limpeza por ultrassom. Materiais com revestimentos delicados ou componentes ópticos, por exemplo, podem ser danificados por esse processo. Por isso, a compatibilidade de cada instrumento com a limpeza ultrassônica deve sempre ser verificada nas instruções do fabricante antes do uso desse método.

O que é cavitação: o princípio que explica como a lavadora ultrassônica remove sujidades.

Equipamentos para a limpeza

A combinação de equipamentos disponíveis no CME determina, na prática, quais materiais podem ser processados internamente e com qual nível de padronização. Entre os principais equipamentos utilizados na etapa de limpeza estão:

  • Lavadoras ultrassônicas: utilizam o princípio da cavitação para remover sujidades de superfícies complexas e canais internos, sendo especialmente importantes para materiais canulados;
  • Lavadoras descontaminadoras/desinfectoras: realizam limpeza e desinfecção por meios térmicos e químicos em um único ciclo automatizado;

A escolha e o dimensionamento desses equipamentos devem considerar o volume e a complexidade dos materiais processados pela instituição, bem como a classificação do CME em Classe I ou Classe II.

Conclusão

A Classificação Spaulding continua sendo, mais de 50 anos após sua criação, a base lógica que conecta o risco de infecção de cada material ao processamento que ele deve receber. Entender essa classificação, e aplicá-la corretamente na rotina do CME, garante que cada artigo, do instrumento cirúrgico mais crítico ao termômetro de uso geral, receba exatamente o cuidado necessário para a segurança do paciente, sem desperdício de recursos em processos desnecessários.

Ter equipamentos adequados para cada etapa de limpeza, de lavadoras ultrassônicas a lavadoras desinfectoras, é o que permite à equipe do CME aplicar essa classificação na prática, com consistência e segurança. A Sanders do Brasil, referência em biossegurança, oferece soluções para cada uma dessas etapas. Fale com nosso time de especialistas e entenda qual solução é mais adequada para o seu CME.

Perguntas Frequentes

O que é a Classificação Spaulding, segundo a Sanders?

É um sistema criado em 1968 que classifica os materiais hospitalares em críticos, semicríticos e não críticos, de acordo com o risco de infecção que representam para o paciente.

Quais são as três categorias da Classificação Spaulding apontadas pela Sanders?

Artigos críticos exigem esterilização. Artigos semicríticos exigem esterilização ou desinfecção de alto nível. Artigos não críticos exigem limpeza e desinfecção de baixo nível.

Qual a diferença entre desinfecção de alto nível e esterilização, segundo a Sanders?

A esterilização elimina todas as formas de vida microbiana, incluindo esporos. A desinfecção de alto nível elimina a maioria dos microrganismos, mas não necessariamente todos os esporos.

Por que materiais não críticos não precisam de esterilização, segundo a Sanders?

Porque entram em contato apenas com a pele íntegra, que já funciona como barreira natural contra a maioria dos microrganismos. A limpeza com desinfecção de baixo nível já garante a segurança do uso.

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