Reprocessamento de materiais descartáveis na CME
Sanders do Brasil
9 de Outubro, 2023

Reprocessamento de Materiais de Uso Único: É Seguro?

SANDERS
Equipamentos Médicos | Excelência Hospitalar

Pronto para transformar seus processos de esterilização?

Em um cenário onde a sustentabilidade e a redução do desperdício estão cada vez mais em evidência, o reuso de produtos para saúde não permanentes surge como uma prática promissora. Essa abordagem envolve a utilização de dispositivos médicos não invasivos, após passarem por processos de desinfecção e esterilização adequados. No entanto, é essencial entender os riscos e as diretrizes envolvidas nesse processo para garantir a segurança dos pacientes.

O produto reprocessado deve garantir a mesma segurança e desempenho do artigo no primeiro uso.

O que é o Reuso?

O reuso de produtos para saúde não permanentes se refere à prática de esterilizar e preparar novamente itens que foram originalmente projetados para uso único. Essa prática busca estender a vida útil dos produtos e reduzir os custos associados à aquisição de materiais descartáveis.

Riscos Associados ao Reuso

Existem SIM riscos associados ao reuso de produtos para saúde (PPS) não permanentes, como por exemplo: infecção, pirógenos, resíduos tóxicos, insegurança funcional, alteração da integridade física, entre outros.

Atualmente o Brasil, assim como diversos outros países, faz o reuso de produtos não permanentes. O problema é que nem todos os hospitais fazem de forma oficial, dentro do que a norma permite e coerente com os protocolos.

Entendendo a Norma

A legislação vigente sobre o reuso é a RDC 156/2006 e nela existem duas resoluções anexas:

  • Resolução RE nº 2.605
  • Resolução RE nº 2.606

Importante: O rótulo do material deve estar em português, aprovado pela ANVISA, e a informação deve ser escrita exatamente "Proibido Reprocessar" pois essa informação só pode conter se for autorizado pela ANVISA. Caso tenha essa informação no rótulo, mesmo que o material não conste na lista negativa, seu processamento é proibido.

Protocolo de Reuso

A decisão do reuso deve ser discutida por toda equipe usuária envolvida. Para que o protocolo seja seguro e eficaz, veja os pontos indispensáveis:

Avaliação de Dispositivos para Reuso:

  • Identifique quais dispositivos podem ser reutilizados de acordo com as orientações dos órgãos regulatórios e fabricantes.
  • Priorize dispositivos simples e de baixo risco para reuso, evitando procedimentos complexos que possam comprometer a esterilização.

Estabeleça Protocolos de Limpeza e Esterilização:

  • Desenvolva processos de limpeza, desinfecção e esterilização rigorosos para garantir a remoção de resíduos e microrganismos patogênicos.
  • Valide os protocolos de esterilização por meio de testes que demonstrem a eficácia do processo.

Treinamento e Educação:

  • Capacite a equipe de enfermagem do CME com treinamento detalhado sobre o processo de reuso, enfatizando as etapas de limpeza, esterilização e armazenamento.
  • Atualize regularmente a equipe sobre as melhores práticas, novas diretrizes e tecnologias relacionadas ao reuso de dispositivos.

Rastreabilidade e Documentação:

  • Mantenha registros detalhados de cada dispositivo reutilizado, incluindo informações sobre o paciente, data de reuso, processo de esterilização e validação.
  • A documentação completa é essencial para rastrear qualquer problema e para atender a auditorias e inspeções regulatórias.

Inspeção Visual e Testes Funcionais:

  • Realize inspeções visuais detalhadas para garantir que os dispositivos não apresentem danos visíveis após o reuso.
  • Implemente testes funcionais, quando aplicável, para verificar se os dispositivos ainda estão em perfeitas condições de funcionamento.

Monitoramento Contínuo:

  • Estabeleça um sistema de monitoramento contínuo para avaliar a eficácia do protocolo de reuso e identificar áreas que precisam de melhorias.
  • Realize auditorias regulares para garantir que os procedimentos estão sendo seguidos adequadamente.

Descarte Adequado:

  • Determine um limite máximo de reuso para cada dispositivo, garantindo que os materiais não se tornem excessivamente desgastados.
  • Estabeleça diretrizes claras para o descarte seguro de dispositivos que não atendam mais aos padrões de segurança após o reuso.

LEMBRE-SE: Todo protocolo de reuso tem sua fragilidade, por mais seriedade técnica que seja criado. Os protocolos não têm validades externas, ou seja, cada hospital precisa ter o seu protocolo de acordo com as suas condições internas. Mesmo protocolos validados em pesquisas acadêmicas devem ser validados no âmbito local.

Conclusão

Os riscos associados ao reprocessamento desses dispositivos não podem ser ignorados. A possibilidade de infecções cruzadas, falhas no processo de esterilização e outros riscos trazem à tona preocupações legítimas quanto à segurança dos pacientes e profissionais de saúde.

No entanto, ao seguir as diretrizes e procedimentos apropriados para criar um protocolo de reuso, é possível minimizar esses riscos. Quando optar pelo reuso:

  • Respeite a legislação
  • Tenha apoio formal da equipe usuária e da alta administração
  • Valide com seriedade técnica
  • Não utilize o reuso para resolver questões administrativas

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