Processo de Limpeza na CME: O quão limpo é limpo? PARTE I
Pronto para transformar seus processos de esterilização?
No artigo de hoje falaremos do processo de limpeza e o quanto conseguimos padronizar esse processo, tornando-o o mais seguro possível. Para isso, começaremos a falar da classificação de Spaulding.
Classificação de Spaulding
Para ajudar os profissionais a escolher as melhores estratégias de limpeza e desinfecção para materiais hospitalares, H. E. Spaulding desenvolveu um método de classificação de itens de acordo com o risco de infecção do paciente em 1968.
Os itens utilizados nos serviços de saúde são divididos em três categorias de acordo com o grau de risco de infecção do paciente: crítico, semicrítico e não crítico. Esta classificação orientará a seleção do processo de desinfecção ou esterilização a ser utilizado.
A Importância da Limpeza
A limpeza é a etapa mais importante no processamento. Independente do tipo de dispositivo médico e processamento, todos os dispositivos devem primeiramente passar pela etapa de limpeza.
Essa etapa reduz em até 99,99% a presença de microrganismos.
Área de Recepção e Limpeza
A área de recepção e limpeza de instrumentos cirúrgicos na CME é responsável por receber, inspecionar e preparar os materiais utilizados nas intervenções médicas. A qualidade e eficiência nesse estágio desempenham um papel crucial na prevenção de infecções e na garantia da segurança dos pacientes.
Veja o que a RDC 15/2012 pede em relação da área:
- CME tipo I – Barreira técnica entre a área suja e limpa
- CME tipo II – Barreira física entre a área suja e limpa
Em relação à estrutura, a RDC15 pede:
- Instalação de equipamentos
- Bancadas para conferência
- Pistolas de ar e água
- Recipientes para descarte de perfurocortantes e resíduos biológicos
- Climatização (CME classe II): temperatura ambiente entre 18° e 22°C, vazão mínima de ar total de 18,00 m³/h/m², manter um diferencial de pressão negativo
Segurança na Área de Limpeza
No processo de limpeza é onde ocorrem os maiores riscos de acidentes com os profissionais de enfermagem. A prática da limpeza manual expõe os profissionais a produtos químicos, respingos, umidade e riscos de contaminação biológica com materiais perfurocortantes. Portanto, é essencial que sua segurança seja protegida por meio de:
- Avental Impermeável manga longa
- Luva de borracha cano longo
- Óculos de Proteção ou Protetor Facial
- Protetor Auricular
- Máscara (N95/PFF2) ou similar
- Calçado fechado, impermeável e antiderrapante
Qualidade da Água
RDC 15 de 2012, Art. 68: O enxágue dos produtos para saúde deve ser realizado com água que atenda aos padrões de potabilidade definidos em normatização específica.
Parágrafo único: O enxágue final de produtos para saúde críticos utilizados em cirurgias de implantes ortopédicos, oftalmológicos, cirurgias cardíacas e neurológicas deve ser realizado com água purificada.
Art. 74: O CME Classe II e a empresa processadora devem realizar o monitoramento e registro, com periodicidade definida em protocolo, da qualidade da água, incluindo a mensuração da dureza da água, pH, íons cloreto, cobre, ferro, manganês e a carga microbiana nos pontos de enxágue da área de limpeza.
Conclusão
A padronização no processo de limpeza no Centro de Material e Esterilização é uma abordagem essencial para garantir a qualidade, segurança e eficiência das atividades realizadas nesse ambiente tão crítico para a saúde dos pacientes.
No próximo post continuaremos falando sobre a padronização no processo de limpeza, veremos sobre os tipos de detergentes, acessórios para limpeza, ciclo de Sinner e muito mais.

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